Sinopse
"A loucura é a incapacidade de comunicar-se. Entre a loucura e a normalidade, que no fundo são a mesma coisa, existe um estado intermediário: chama-se ser diferente. E as pessoas estavam cada vez com mais medo de ser diferentes. No Japão, depois de ter pensado muito sobre a estatística que acabara de ler, me veio a ideia de escrever um livro sobre a minha própria experiência. Escrevi Veronika decide morrer na terceira pessoa, usando meu ego feminino, porque sabia que a minha experiência de internação não era o que interessava : Mas sim os riscos de ser diferente, e o horror de ser igual."
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"Decidiu esquecer as cólicas, procurando concentrar-se na noite que caía com rapidez, nos bolivianos, nas pessoas que começavam a fechar suas lojas e sair. O barulho no ouvido tornava-se cada vez mais agudo, e - pela primeira vez desde que tomara os comprimidos - Veronika sentiu medo, um medo terrível do desconhecido.
Mas foi rápido. Logo perdeu a consciência." Pág 17
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Vontade de morrer. Medo de fracassar. Sentir que não é importante para ninguém. É com estes sentimentos que Veronika, nossa protagonista, inicia este livro. Com uma vontade insana de se matar e de dar um fim aos seus problemas, decide ingerir uma série de comprimidos controlados, a fim de desmaiar e nunca mais acordar. E Veronika consegue desmaiar. Mas não morre, de fato. E, pra piorar, acorda em um hospício de segurança máxima, distante de tudo e de todos.
Em meio ao desespero que assola nossa protagonista, ela decide buscar informações com enfermeiros e com o médico-chefe do local, Dr. Igor (que está trabalhando arduamente numa pesquisa que visa entender os motivos que levam uma pessoa a ter depressão, crises e, em casos mais extremos, tentar o suicídio, assim como Veronika) e descobre que, mesmo tendo fracassado em seu objetivo de tirar sua própria vida, causou danos irreversíveis em seu coração, e que possui uma semana de vida.
A partir daí, Veronika começa uma jornada agoniante dentro do hospital, vivendo cada dia como uma sentença de morte, e pior: pensando que pode ter tomado a decisão errada em querer acabar com sua existência.
Em meio a confusão dos dias que se seguem, ela conhece pessoas que conversarão com ela e lhe darão conselhos. A mais importante delas, Eduard, é um esquizofrênico que não troca uma palavra com ela, mas que a envolve com seu jeito e Veronika considera até mesmo a hipótese de ter se apaixonado...
Mas e agora? Como viver sabendo que seus dias estão contados? Como Veronika viverá seus últimos dias? "Veronika decide morrer" é, ao mesmo tempo, uma ficção surpreendente e um livro para auto- reflexão, que nos fará pensar nas escolhas que fazemos e como podemos aproveitar cada segundo de nossas vidas da melhor forma.
Considerações Finais
Bom livro! Narração direta, em 3ª pessoa, com narrador onisciente, marcada por capítulos razoavelmente curtos e diálogos simples e bem acabados.
Serei sincera: sempre tive um pouco de preconceito de ler Paulo Coelho, apenas pelo fato de não gostar muito dos assuntos abordados por ele em seus livros. Mas, com "Veronika decide morrer" a coisa foi outra! Além da boa história, consegui enxergar um pouco além dos temas levantados por este autor. E digo mais: mesmo não sendo apaixonada por seus livros, lendo esta obra, consegui finalmente entender porque seus livros são tão comprados e porque são traduzidos em tantas outras línguas: porque nos fazem questionar sobre tudo o que está ao nosso redor e, sobretudo, questionar a nós mesmos.
Livro recomendado, à toas!
Título: Veronika decide morrer
Subtítulo: -
ISBN: 9788575427958
Editora: Sextante
Ano: 2012
Páginas: 208















